A vida é cíclica. Amores, trabalhos, lugares, pessoas.

Hoje, podemos ocupar um cargo em uma renomada empresa em que há alinhamento de valores, vestir a sua camisa, e daqui alguns anos, pelos mais variados motivos, essa situação deixar de se encaixar tão bem como antes.

Quebra de paradigmas, dedicação integral aos filhos, acompanhar o (a) parceiro (a) em algum projeto que envolva mudar de cidade, estado ou país são motivos que podem levar aquele colaborador a deixar de forma imprevisível o cargo na renomada empresa.

Também é possível crer que algumas amizades ou amores serão eternos.

Muitas vezes, no início de um relacionamento afetivo ou amoroso as qualidades do outro ficam em evidências, ao passo que os seus ‘defeitos’ são minimizados. Mas, com a construção diária do relacionamento, é possível conhecer e enxergar o outro com mais clareza.

Nesse momento, alguns notam que as afinidades inicialmente percebidas não são capazes de sustentar um relacionamento duradouro ou que, apesar daquela amizade ser agradável e construtiva, os contatos não serão tão frequentes como antes.

Essas são situações corriqueiras, que a maioria de nós um dia já passou…

Seja sendo demitido ou pedindo demissão, fazendo uma transição de carreira ou solidificando a carreira, rompendo ou iniciando relacionamentos, mudando de cidade, estado ou país ou retornando ao local de origem, é possível obter ensinamentos e extrair o melhor que aquela situação pode oferecer.

Nessa vida tão dinâmica, é fundamental, também, estar aberto ao novo. Encará-lo de frente e com vontade. Afinal, a única certeza que temos, além da morte, é que as mudanças sempre farão parte da vida.

Algumas mudanças podem ser drásticas, outras mais amenas. Para algumas será necessário investir mais energia, para outras, nem tanto.

Recentemente, fomos procurados para uma consulta que tinha como tema o fim de um relacionamento amoroso e as suas implicações jurídicas.

O casal, que viveu por anos juntos e ao longo desse tempo construiu patrimônio, gerou um filho que tinha sete anos.

Obviamente, foram tiradas dúvidas quanto às questões patrimoniais. Estas consistiam basicamente em como se daria a partilha dos bens, visto que o casal havia comprado terreno e iniciado a construção enquanto namoravam, tendo-a finalizado após o casamento, e investiam valores individualmente, através de contas particulares.

Após, foi dedicado tempo para tratar do ponto mais importante para a cliente: como a ruptura afetaria o seu relacionamento e o relacionamento de seu futuro ex-marido com o filho.

Nesse momento, foi explicado que a guarda compartilhada é a regra em nossa legislação. O que significa dizer que as responsabilidades e decisões sobre a vida da criança ou do adolescente devem ser feitas em conjunto, diferentemente, portanto, da guarda unilateral em que um dos pais se responsabiliza pelas decisões em relação ao filho, enquanto o outro somente supervisiona.

Já o tempo que a criança conviverá com o pai e com a mãe será estabelecido pelo juiz da causa, sendo que habitualmente se define que a criança ou adolescente passará os finais de semana alternados e até um dia da semana com aquele genitor que não convive diariamente. Mas, é possível que o juiz decida de forma diversa, a depender do caso concreto.

Caso haja consenso entre o casal quanto à guarda, tempo de convivência e pensão alimentícia, contudo, poderão celebrar um acordo que deverá ser encaminhado ao Judiciário para apreciação e posterior homologação.

Essas questões jurídicas são fundamentais e precisam ser esclarecidas. Mas, a meu ver, um ponto muito importante a ser alertado diz respeito ao fato de que, apesar de o relacionamento do casal ter chegado ao fim e estes terem optado por encerrar esse ciclo, o relacionamento com o filho permanece.

Os pais devem continuar exercendo o papel de pais, zelando pelos filhos e atendendo suas mais diversas necessidades. Cada um dos pais não pode permitir que o outro o afaste desse papel, muito menos negligenciar ou se omitir da criação do filho em razão da estrutura familiar inicial ter sido desfeita.

Deve-se ter um olhar atento às crianças e aos adolescentes que também estão se adequando à nova realidade e passando por desafios.

Enfim, a vida é uma eterna mudança. Devemos extrair ensinamentos das situações e estarmos abertos ao novo, que pode ser surpreendente. Encerrar e iniciar ciclos é fundamental, mas não deixemos de dar a devida importância ao que é necessário permanecer em nossas vidas!

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