Não, eu não sou candidato a nenhum cargo na próxima eleição municipal. Aliás, a política tradicional realmente não me atrai. Muito pelo contrário. Diante do triste cenário que vivemos há vários anos, estou perdendo até o interesse pelo voto, direito que exerço com orgulho desde 1991 ininterruptamente. Mas uma outra política passou a me conquistar. Há alguns anos um grande amigo me convidou para ser assessor da Presidência da Turma Disciplinar do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB de Campinas, a instância administrativa que julga os feitos e malfeitos éticos dos nossos colegas advogados. Este seria um cargo meramente auxiliar para exarar parecer pelo arquivamento ou pela continuidade da denúncia. Na época ainda questionei: “Vale a pena abrir mão do nosso escasso e precioso tempo no escritório para se dedicar a esta atividade?” Ele me respondeu: “ Vale sim, é melhor entrar nessa, do que não entrar”. Interessante a resposta. Neste cargo alguns anos fiquei. Depois o mesmo amigo me convidou para ser relator de processos éticos disciplinares no mesmo Tribunal disciplinar. Já neste novo cargo o trabalho seria julgar colegas de profissão aplicando-lhes as penas de censura e até suspensão do exercício profissional. Foram alguns anos de experiência muito edificadora, que cada vez mais me convenciam que era “melhor estar nessa do que não estar”, e que o tempo era uma questão de boa administração e planejamento. Alguns anos depois uma prima me fez o convite para participar da eleição ao Conselho Deliberativo de um grande clube na cidade. Isso mesmo, política de clube! Naquela época me juntei a um grupo que almejava tirar a direção do clube de uma dinastia que se arrastava há muitos anos. Surpreendentemente exitosa a eleição, e, seguindo os passos de meu pai, que foi conselheiro e até presidente de clube, esta foi minha primeira experiência em Conselho Deliberativo. Foram importantes decisões tomadas em prol da coletividade da qual eu e minha família participávamos. Na época éramos a oposição que havia ganho o pleito, por isso nossa gestão foi muito atacada pela antiga situação. Baita experiência política. Fiz novos amigos, aprimorei a exposição em público, estudei bastante. Muitas lições foram tiradas desta experiência. Ao final do mandato veio o convite para a reeleição ao cargo, desta vez na qualidade de situação vidraça, e não mais de oposição pedra. Seduzido pela experiência, aceitei. Paralelamente, em um inusitado encontro na farmácia ao lado da escola dos meus filhos, veio o convite, feito por aquele mesmo amigo do “melhor entrar nessa do que não entrar”, para eu me candidatar a uma vaga ao Conselho Estadual da OAB na chapa da oposição a outra dinastia. Em um pleito eu batalhava pela situação vidraça, no outro, eu era a oposição pedra. Acomodado na situação do clube, acabei perdendo para a dinastia, que retornou ao poder. Já como oposição na OAB, ganhamos, e tiramos a outra dinastia da frente. Foi um sucesso! A experiência de atuação em um colegiado, desta vez de porte maior, ainda vem me engrandecendo, eis que ainda estamos no meio do mandato. Conheci pessoas de todo o Estado de São Paulo, representantes de mais de 250 subseções da OAB. São debates sobre grandes causas de impacto nacional. Pessoas de diferentes credos, gênero, raça e cor, todas juntas, por um mesmo ideal, a salvaguarda da profissão e a proteção ao cidadão e ao Estado Democrático de Direito. E eis que de repente, acometido pela COVID 19 e isolado no quarto da minha filha por 14 dias, aquele mesmo amigo me fez outro convite. Desta vez para participar da eleição ao Conselho Deliberativo da OABPrev, o fundo de previdência fechado aos inscritos nos quadros da OAB. Mais de 50 mil vidas e R$ 1 bilhão de patrimônio para administrar. Entre uma azitromicina e outra, uma vitamina D e outra, e sofrendo pela perda de um grande amigo, também acometido pela COVID 19, aceitei mais esse convite, do é “melhor estar nessa do que não estar”. Recebi apoio maciço em Campinas e em todo o Estado. E eis que o pleito se encerrou e eu fui eleito, desta vez com o maior número de votos! Uma experiência única, em um pleito eletrônico pela primeira vez. Agora é arregaçar as mangas, e arrumar ainda mais aquele tempo escasso para mais esta atividade em prol da classe, sem nenhuma remuneração. Discussões de grande relevância estão por vir, assim como um novo círculo de amigos e novas experiência da tribuna. Por que me candidatar? Por que não?

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