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As figuras de herói e vilão todos conhecemos bem desde pequenos. Alguns permanecem no nosso imaginário mesmo depois de adultos. Alguns heróis são de carne e osso, a exemplo de Ayrton Senna, indiscutivelmente, o maior herói nacional. Quase uma unanimidade.

E quanto ao anti-herói? Segundo definição do Wikipédia: “Anti-herói é o termo que designa o protagonista que não possui as virtudes tradicionalmente atribuídas aos heróis. O termo não é sinônimo de vilão, porém, alguns anti-heróis chegam a ser vilões, como a personagem Brittany Miller da franquia Alvin e os Esquilos. Em alguns casos, os anti-heróis são tão ou mesmo mais populares que os heróis, como o Pica-Pau. Anti-heróis são personagens não inerentemente maus que, às vezes, praticam atos moralmente questionáveis. Contudo, algumas vezes é difícil traçar a linha que separa o anti-herói do vilão. No entanto, note-se que o anti-herói, diferente do vilão, sempre obtém aprovação, seja através de seu carisma, seja por meio de seus objetivos muitas vezes justos ou ao menos compreensíveis, o que jamais os torna lícitos. A malandragem, por exemplo, é uma ferramenta tipicamente anti-heroica.

Após o fracasso da tentativa da seleção canarinho de ganhar o título na Rússia, uma das favoritas (era mesmo?), o craque Neymar Jr., nosso camisa 10, foi alvo de várias críticas da imprensa internacional, de jogadores, técnicos e de alguns torcedores decepcionados com sua performance.

A reação exagerada do jogador a cada falta sofrida, somada à grande expectativa que lhe foi atribuída (e não correspondida), contribuíram para o desgaste na imagem de Neymar.

Desde o primeiro jogo, as quedas frequentes e o hábito de se jogar no chão foram assunto e acabaram rendendo ao jogador a alcunha de “cai-cai”. Neymar virou meme. Sim, as redes sociais não perdoam...

A última invenção foi um jogo que “brinca” com as quedas de Neymar. O objetivo do jogo “Neyboy Challenge” é deixar o jogador em pé e já virou febre na internet.

O desgaste foi tão grande que o staff do atacante agora tenta resgatar a imagem do craque com um “plano de emergência”. O craque, sabiamente, não apareceu na mídia nem deu declarações nas redes sociais após o jogo de eliminação contra a Bélgica. Provavelmente tenta se resguardar após ter chamado mais atenção para seus cortes de cabelo que para o futebol apresentado.

Outros jogadores populares, para não dizer pops, já passaram por isso antes – a exemplo de Cristiano Ronaldo que já foi duramente criticado. Com o tempo, se Neymar mostrar bons resultados em campo, estas lembranças amargas serão deixadas para trás. Afinal, o brasileiro não tem memória mesmo...

Mas o objetivo deste artigo não é entrar no mérito do comportamento do craque, seja em campo ou fora dele, a reflexão que os convido a ter é sobre a lição que a Copa da Rússia pode nos deixar e o momento cai-cai que o Brasil está passando.

A arte imita a vida ou a vida imita a arte? A imagem do jogador cai-cai, aquele que malandramente exagera - para não dizer que se joga no chão mesmo - para “cavar” uma falta e obter alguma vantagem lhe é familiar? Qualquer semelhança com o “jeitinho brasileiro” não é mera coincidência. É cultural.

Vamos ser francos. O Brasil já não é o país do futebol há muito tempo. Aquela seleção que fez a fama por deter talentos brilhantes e inimitáveis como o rei Pelé não existe mais.

Há alguns anos as seleções que chegam ao título não o conquistam devido à um único talento. O camisa 10 não é a solução e nem conquista um título sozinho. Os times europeus às custas de muita disciplina, dedicação, treino e investimento aprenderam a jogar. Portugal também não venceu na Rússia apenas com o CR7. Já passou da hora de deixarmos de enaltecer o talento individual em detrimento do trabalho árduo.

O brasileiro busca na figura do camisa 10 o herói nacional que tornará o sonho do hexa possível mas sabemos que “uma andorinha só não faz verão”. Temos a necessidade de acreditar em um herói que salvará o Brasil mas este herói não existe.

Fora de campo a dinâmica é a mesma. Ninguém vai tirar o país da miséria e da corrupção sozinho. O Brasil é cai-cai. A performance do Neymar na Rússia é o retrato do Brasil hoje. O Neymar sou eu e você e o Brasil é o Neymar.

Estamos há anos caindo e tentando nos levantar. “Caímos” na educação, na cultura, na saúde pública, na renda per capita, na política, na economia, na segurança, na taxa de criminalidade, nas oportunidades de emprego. E não, o próximo presidente eleito não será o camisa 10 ou o super-herói que conseguirá mudar sozinho esta situação em que nos encontramos.

O camisa 10 somos nós. Cabe a todos nós a responsabilidade de tentar começar a mudar este cenário político econômico nas próximas eleições.

E a mudança não se dá apenas nas urnas. O brasileiro precisa parar de usar da malandragem para conseguir alguma vantagem. Ficou feio para o Neymar. Ficou feio para nós. Votar no amigo não por sua competência e plano de governo mas porque se ele for eleito lhe trará alguma vantagem é exercer o jeitinho brasileiro. É compactuar com a corrupção que tomou conta deste país.

Este sentimento que muitos depositaram na seleção após seu fracasso, assim como depositamos nos políticos que elegemos e nos decepcionam nada mais é que uma espécie de catarse¹.

O choro e a revolta exacerbados com a eliminação do Brasil na Copa refletem o descontentamento que estamos com o nosso país. Nada vai bem mesmo. Não somos mais nem o país do futebol. E agora?

Isso explica também as demonstrações de muitos que se declararam não confiantes na vitória do Brasil e de outros que até torceram contra.

A Copa assim como as eleições só voltará a ocorrer daqui há quatro anos. Espero que o Tite, se continuar no comando da seleção, continue fazendo um bom trabalho mas espero muito mais dos brasileiros. Espero que o Brasil não seja “eliminado” também nas eleições. E que na próxima Copa tenhamos motivos para nos orgulhar e ter esperança não só no futebol mas, principalmente, no futuro do país, porquê sou brasileira e não desisto nunca!

¹Catarse (do grego κάϑαρσις, kátharsis, "purificação", derivado de καϑαίρω, "purificar") é uma palavra utilizada em diversos contextos, como a tragédia, a medicina ou a psicanálise. Significa "purificação", "evacuação" ou "purgação". Segundo Aristóteles, a catarse refere-se à purificação das almas por meio de uma descarga emocional provocada por um trauma.[1][2]

Ou seja, é preciso que o herói trágico passe da "felicidade" para a "infelicidade" para que o espectador possa atingir a catarse. Por exemplo: Édipo Rei começa a história como rei de Tebas e, no fim, se cega e se exila.[3] Ou a tragédia Romeu e Julieta, de Shakespeare, na qual os dois protagonistas fazem parte da elite da cidade e são mortos pelo seu amor proibido.[4] (Em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Catarse> Acesso em: 14 de julho de 2018)

Juliana de Oliveira Mazzariol

juliana

Advogada Associada da Advocacia Hamilton de Oliveira,  inscrita na Ordem dos Advogados do Brasil – Seção de São Paulo (OAB/SP) e na Associação dos Advogados do Estado de São Paulo (AASP).

Formada pela Universidade São Francisco (USF) e especialista em Direito Empresarial pelo Instituto Nacional de Pós Graduação (INPG).

Sua prática tem sido dedicada à área do Direito Empresarial e Cível em geral (contencioso e consultivo), destacando-se sua longa passagem pelo Shopping Center Iguatemi Campinas, o que lhe garantiu vasto conhecimento no mercado de varejo e shopping center.

Foi docente na UNIP (campus de Campinas e Jundiaí), ministrando aulas de Direito e Ética.

Idiomas: Inglês.

juliana.mazzariol@aho.adv.br

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