Mais uma vez chegamos naquele momento em que, ansiosos pelo desfraldar de um novo ano, nos angustiamos esperando o encerrar deste que (sobre)vivemos.

2019 veio com um mar de lama – triste, desnecessário e, ainda, inexplicavelmente não evitado –, com queda de prédios, novas reformas trabalhistas e previdenciárias. Novos líderes e liderados, novas e velhas polêmicas. Este ano veio com tudo e não se fez de rogado.

Não, caro leitor, não vou aqui fazer uma retrospectiva global dos 351 que já passaram – para isso existem meios de comunicação e profissionais infinitamente mais capacitados do que eu. Vou apenas me permitir falar um pouco do que a AHO passou e realizou neste período.

Tivemos altos e baixos, vitórias e derrotas, acertos e erros. Mais dos primeiros que dos segundos, creio eu.

Vou dar alguns exemplos:

Em 2018, o último texto deste humilde blog falava das portas fechadas da cooperativa médica que tanto impacta na realidade dos médicos da região de Campinas – afinal, mais de ¾ do mercado de plano de saúde privado local está nas mãos dela –.

Na semana passada, comemoramos o resultado de quase 20 anos de batalhas judiciais perante o Judiciário Paulista, com a publicação do enunciado X das Câmaras Empresariais apontando a ilegalidade das restrições de acesso a essa cooperativa. Uma retumbante vitória, sem sobra de dúvidas.

Tratamos, também, sobre a Morte – tema pesado, tratado com a fineza e leveza que poucos podiam fazer –, para lembrar que até nesse difícil momento, a atuação preventiva do advogado pode fazer toda a diferença, ao (pelo menos) suavizar a insuperável dor da perda de uma pessoa querida, dando norte e orientação aqueles que ficam sobre como aquela pessoa deseja que uma situação irreversível de saúde deve ser tratada.

Falamos de amor, de relacionamentos, de casamento e de divórcios, de filhos, alimentos e alienação parental. Afinal, se o matrimônio termina, os rebentos são para sempre – e não devem ser envolvidos ou penalizados pelas decisões dos pais –.

E terminar um relacionamento não é algo simples e, o quanto antes for resolvido, menor será o custo (não só emocional, mas financeiro) para os envolvidos, já que, quem fica no controle do patrimônio comum, pode arcar com alimentos compensatórios àquele que, alijados da sua parte nestes bens, não pode usufruir dos frutos destes.

Não podíamos deixar de falar das reformas trabalhista e previdenciária realizadas – e quantas foram! –, esparsas e ainda sem que saibamos ao certo seus impactos, mas certamente barulhentas e ruidosas aos empregados e empregadores.

E que montanha russa foi o ano neste aspecto: não sabíamos se (e como) iríamos nos aposentar – agora, certas ou erradas, as regras estão postas –, vimos postos de trabalhos substituídos por porteiros virtuais, não sabíamos se (e a quem) verter as contribuições sindicais, se teríamos direito ao plano de saúde (após a demissão), licença maternidade (nos trabalhos temporários) ou como (e se) contratar refugiados…

Foram tantos os temas trabalhistas esse ano que, para citar todos, chegará 2020 e estaremos aqui, eu e você caro leitor, discutindo essas questões.

Dentro do escritório também mudamos muito: aperfeiçoamos rotinas, qualificamos pessoas e profissionais e aprimoramos diversas atividades e procedimentos, de forma a refletir não só os valores e princípios que há 50 anos nos guiam, mas já nos preparando para os próximos 50 anos (de muitos outros) que almejamos ter pela frente.

Não foi fácil esse caminhar, não nego a vocês. Decisões difíceis foram tomadas, mudanças precisaram ser feitas – e muitas outras ainda precisarão acontecer, como é natural a tudo que está ativo e pretende crescer e florescer.

Mas essa é a profissão que escolhemos. Decidimos, como bem pontua o ilustre Miguel Reale Júnior, emprestar nossa voz a quem mais precisa. Que a ele dá motivos para confiar, quando já se desconfia de todos os outros.

É a essa vocação que a AHO se propõe diariamente a atender. E por isso mesmo, por mais sofrido, difícil, corrido e batalhado que tenha sido 2019, não posso deixar de dizer: foi um bom ano.

Afinal, tivemos mais uma vez a oportunidade de ajudar, atender e contribuir, mesmo que apenas um pouco, com todos aqueles que nos confiaram suas dúvidas, seus medos e suas pretensões e direitos violados.

Que em 2020 possamos continuar a cumprir mais e melhor essa importante missão que nos é confiada.

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